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Por que Curtidas Não Ganham Eleição:? Entenda a Diferença entre Engajamento Digital e Voto Real

Por que Curtidas Não Ganham Eleição:? Entenda a Diferença entre Engajamento Digital e Voto Real

No cenário político contemporâneo, as redes sociais se tornaram ferramentas indispensáveis para a comunicação e o engajamento de candidatos e partidos. No entanto, a crença de que um alto número de curtidas, compartilhamentos e seguidores se traduz automaticamente em votos nas urnas é um equívoco comum. Este artigo busca desmistificar essa ideia, explicando por que o engajamento digital, embora importante, não é o fator decisivo para a vitória eleitoral.

Engajamento Digital vs. Voto: A Distinção Crucial

A principal razão pela qual curtidas não se convertem diretamente em votos reside na natureza distinta dessas duas ações. Uma curtida é um ato de baixo custo, que exige um mínimo de esforço e tempo do usuário. É um gesto rápido, muitas vezes impulsionado por um algoritmo que apresenta conteúdo alinhado aos interesses pré-existentes do indivíduo
Em contraste, o ato de votar é uma decisão consciente e de alto custo, que envolve deslocamento físico, tempo e uma reflexão mais aprofundada sobre propostas, histórico e identificação com o candidato

Embora o engajamento online possa ser um catalisador para a participação política, especialmente entre os jovens, ele não garante a transição para a ação offline. Estudos indicam que, para a juventude, o engajamento digital pode atuar como um fator compensatório, reduzindo os custos de participação e aumentando a atividade política, mas essa correlação não é uma garantia de comparecimento eleitoral

O Efeito Bolha e as Métricas de Vaidade

As redes sociais operam com algoritmos que personalizam o feed de notícias de cada usuário, apresentando conteúdos que reforçam suas opiniões e interesses. Isso cria as chamadas “bolhas” ou “câmaras de eco”, onde os candidatos, ao se comunicarem, acabam falando predominantemente com eleitores que já são seus apoiadores
As curtidas, nesse contexto, vêm majoritariamente de seguidores fiéis, mas as eleições são vencidas ao se conquistar os eleitores indecisos e aqueles que estão fora dessa bolha de afinidade.

Além disso, é fundamental diferenciar as métricas de vaidade das métricas de impacto real. Seguidores e curtidas podem ser inflacionados por meio de compras de perfis falsos ou bots, o que distorce a percepção do alcance e da popularidade de um candidato. Uma curtida, por si só, não é um indicativo de confiança, reputação ou intenção de voto genuína

Marketing Político vs. Marketing Eleitoral

Para compreender a dinâmica entre redes sociais e eleições, é crucial distinguir entre marketing político e marketing eleitoral. O marketing político é um processo contínuo de construção de imagem e reputação a longo prazo, focado em estabelecer uma identidade e valores para o político. É o que se pode chamar de “amor” do eleitor pelo candidato. Já o marketing eleitoral é a estratégia de campanha focada na busca pelo voto durante o período eleitoral, a “paixão” que se busca despertar para o dia da eleição

As curtidas e o engajamento nas redes sociais contribuem para a visibilidade e o reconhecimento do candidato (marketing político), mas o voto efetivo (marketing eleitoral) depende de fatores mais complexos, como a apresentação de propostas claras, a identificação do eleitor com a plataforma do candidato e, em muitos casos, a presença e o trabalho territorial.

Manoel Filho

Manoel Filho

Colunista

Pós Graduado em comunicação política e Institucional pelo IDP/DF & Academia Marcelo Vitorino;

Publicitário

Jornalista em Formação;

Secretário de comunicação de Missão Velha / CE;

Ouro na maior Honraria de comunicação política do Brasil / Prêmio CAMP 2025.

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