A mais recente convocação da Seleção Brasileira, comandada por Carlo Ancelotti, voltou a deixar de fora o principal nome do futebol brasileiro na última década: Neymar. A ausência do camisa 10, justamente na última lista antes da convocação final para a Copa do Mundo, reacendeu debates e dividiu opiniões nas redes sociais. O Brasil se prepara para enfrentar França no dia 26 e Croácia no dia 31, em amistosos nos Estados Unidos, um dos palcos do próximo Mundial.
É compreensível que a ausência de Neymar gere repercussão. Trata-se de um jogador que marcou época, decisivo em diversos momentos e que construiu uma carreira de destaque desde os tempos de Santos até o protagonismo no Barcelona, onde formou um trio histórico ao lado de Lionel Messi e Luis Suárez. No entanto, o futebol é momento — e é exatamente aí que mora o ponto central dessa discussão.
Nas últimas temporadas, Neymar conviveu com lesões frequentes e, mesmo quando esteve em campo, apresentou apenas lampejos do futebol brilhante que o consagrou. Falta sequência, falta intensidade e, principalmente, falta impacto real em alto nível competitivo. Diante disso, surge uma pergunta inevitável: vale a pena convocar um jogador que não está 100% fisicamente e que pode contribuir apenas de forma limitada dentro de campo?
A decisão de Ancelotti, ao que tudo indica, vai além de uma simples escolha técnica — é uma mensagem. O treinador começa a dar identidade à equipe, priorizando desempenho, consistência e meritocracia. E talvez seja justamente o peso do seu nome que permita esse tipo de posicionamento. Diferente de muitos técnicos brasileiros, que historicamente acabam cedendo à pressão popular, Ancelotti não precisa provar mais nada a ninguém.
E o cenário levanta uma reflexão ainda mais provocativa: como reagiria o torcedor brasileiro se Neymar ficasse fora da Copa e, mesmo assim, o Brasil conquistasse a tão sonhada sexta estrela? A idolatria daria lugar ao pragmatismo? Ou a ausência do ídolo seria vista como uma injustiça irreparável?
Na minha opinião, a tendência é que Neymar ainda apareça na lista final. Com 26 vagas disponíveis, sempre existe espaço para um jogador de talento diferenciado, mesmo que não esteja no auge. Ainda assim, defender neste momento que ele é peça fundamental da Seleção Brasileira é, na minha visão, ignorar a realidade. O Neymar decisivo, dominante e incontestável parece ter ficado no passado.
No fim das contas, Ancelotti pode estar apenas fazendo o que poucos tiveram coragem: tratar o maior nome recente do futebol brasileiro como qualquer outro jogador — alguém que precisa, acima de tudo, mostrar dentro de campo que merece vestir a camisa da Seleção.






