As divergências entre a Federação União Progressista e os partidos que a compõem ganharam um novo capítulo na disputa eleitoral do Ceará. As executivas estaduais do União Brasil e do Progressistas ingressaram com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) para pedir a anulação da convenção da federação que oficializou apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado.
O recurso foi protocolado na segunda-feira (27), após a realização das convenções do último fim de semana. Na ação, as legendas contestam a validade da ata da convenção da federação, documento que registra oficialmente as deliberações do encontro. A decisão da Justiça Eleitoral poderá definir qual posição terá validade jurídica e, consequentemente, para qual candidatura serão destinados recursos como o tempo de propaganda eleitoral e o fundo partidário da federação.
A situação se tornou ainda mais incomum porque, enquanto a Federação União Progressista decidiu apoiar Ciro Gomes, lançando o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União Brasil), como candidato a vice-governador e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) ao Senado, os partidos União Brasil e Progressistas realizaram convenções próprias e optaram por um caminho diferente.
Nas reuniões individuais, ambas as siglas aprovaram apoio à pré-candidatura do governador Elmano de Freitas (PT), contrariando a decisão adotada pela federação que reúne os dois partidos.
O impasse criou um cenário considerado singular na política cearense. O União Brasil, por exemplo, passa a viver uma situação inédita ao ter um filiado, Roberto Cláudio, compondo a chapa majoritária de Ciro Gomes como candidato a vice-governador, enquanto a direção estadual da própria legenda declara apoio ao principal adversário dessa chapa, o governador Elmano de Freitas.
A contradição também alcança a disputa pelo Senado. Embora Capitão Wagner seja filiado ao União Brasil e tenha sido escolhido pela federação como candidato ao cargo, a decisão da executiva estadual de apoiar Elmano abre espaço para que o partido participe da campanha dos candidatos ao Senado vinculados à chapa governista.
Agora, caberá ao Tribunal Regional Eleitoral analisar o pedido de anulação da convenção da Federação União Progressista. O julgamento poderá definir qual das deliberações prevalecerá oficialmente e esclarecer os efeitos jurídicos do impasse sobre a participação da federação e de seus partidos nas eleições de 2026 no Ceará.






