
Foto: Thiara Montefusco
O Censo 2022 revelou que o Cariri registrou avanço no número de habitantes indígenas, alcançando 3.234 pessoas — aumento de 11% em relação ao levantamento de 2010. A região também demonstrou maior pluralidade cultural, reunindo 23 etnias diferentes e cinco línguas indígenas ainda presentes no território caririense.
Crato e Juazeiro do Norte concentram as maiores comunidades indígenas, somando 704 pessoas entre os dois municípios. Em contrapartida, algumas cidades apresentam números simbólicos, como Altaneira, Granjeiro, Jati e Potengi, que registraram apenas um indígena cada. O Censo mostra também reduções expressivas em localidades como Caririaçu, que passou de 102 para 22, e Mauriti, que caiu de 50 para 10 indígenas.
No cenário estadual, o IBGE identificou 140 etnias vivendo no Ceará, número superior às 93 contabilizadas em 2010. Para Joedson Kariri, liderança indígena atuante no Cariri, o crescimento é reflexo da articulação comunitária que estimula o autorreconhecimento. Ele ressalta, porém, que persistem desafios, como ausência de políticas específicas, falta de soberania territorial e um sistema educacional que não contempla a realidade indígena, “para fortalecer cada vez mais o autorreconhecimento”. As ações são feitas para fomentar a identidade e o pertencimento indígena na região. “Gostamos de dizer que cultura é algo que se cultiva. Se a gente deixa de cultivar, a gente fragiliza as nossas tradições, cosmovisões e modos de vida. É preciso cultivar a nossa maneira de viver, de se relacionar com a natureza e com o mundo”, afirma.





