Caro (a) leitor (a), este texto marca minha primeira contribuição nesta coluna, com uma proposta de conteúdo quinzenal primando pela boa informação, responsabilidade e de qualidade. Até pensei em iniciar com uma abordagem técnica a partir da publicação das resoluções do Tribunal Superior Eleitoral que irão nortear o processo eleitoral neste ano, mas ao refletir bem, decidi mudar a proposta.
Ao invés de começar com discussões sobre normas, regras, jurisprudências e legislação eleitoral, devemos considerar discutir tendências gerais e novas perspectivas que farão das Eleições Gerais de 2026 um divisor de águas.
A primeira é uma vitória institucional, os discursos e narrativas de desacreditar a Justiça Eleitoral no tocante a condução e legitimidade do processo eleitoral vem perdendo força, mas não sumiram. Com as respostas contundentes e exemplares, em termos de apuração e responsabilização, de quem tente subverter a ordem democrática constitucional, serviram de marco histórico. Esta demonstração de maturidade e força institucional, fez do Brasil, tornar-se exemplo de garantia da democracia na avaliação de consagrados veículos de imprensa estrangeiros, como o americano The New York Times e do britânico The Economist.
Este aspecto positivo, não implica em um cenário de “paraíso na terra”, ainda há desafios e perspectivas que farão, do processo eleitoral deste ano, ter novos desafios nas campanhas e na própria condução das eleições.
O combate a desinformação, ao discurso de ódio e da discriminação de gênero na política continuam sendo uma problemática nociva ao bom debate de ideias e projetos políticos durante o pleito. Ademais, o mau uso da Inteligência Artificial adiciona um outro fator, que somando aos demais, que terá a capacidade de desequilibrar a disputa.
A Justiça Eleitoral vem se preocupando com aos impactos da Inteligência Artificial nas campanhas desde às eleições municipais de 2024. Ocorre que pelo avanço tecnológico, mesmo em tão pouco tempo, somado ao maior acesso aos novos recursos de IA, a produção de conteúdo com capacidade de manipular e simular com elevando grau de convencimento (deepfakes) de áudios, vídeos e declarações de candidatos, ampliou esta preocupação. Por mais que a regulamentação com o uso regular de IA nas campanhas eleitorais tenha avançado, a problemática consiste no uso com finalidade nociva deste uso. Portanto, há necessidade de ampliar a cooperação institucional com as grandes empresas de comunicação via internet e capacitar os órgãos públicos e a sociedade civil organizada para lidar com este novo desafio.
Ademais, é importante entender que recursos de Inteligência Artificial vieram para ficar e serão tendência nas eleições, assim como em vários outros aspectos da vida. Campanhas que apenas reclamarem do uso regular de recursos de IA por adversários estarão perdendo tempo – e tempo em eleição, é voto –, ao invés de procurar estudar estratégias de inovação de conteúdos e adoção seguindo os critérios normativos para o uso de IA definidos pela Justiça Eleitoral.
Assim, tenho a firme convicção com a garantia e legitimidade do processo eleitoral, que a sociedade brasileira já adotou com a devida regularidade e reconhecimento merecido, para o fortalecimento da nossa ainda jovem democracia. Como também acredito que nas Eleições Gerais de 2026 trarão inovações e formarão tendências para os próximos pleitos.






